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12 de Abril, 2016

Ações trabalhistas crescem 87,5% em Caxias

Quando se fala que a atual retração econômica vem afetando todos os setores da sociedade não é exagero. Além da indústria, do comércio e dos serviços, o Poder Judiciário sente com força os impactos da crise. Nos últimos cinco anos, a Justiça do Trabalho de Caxias registrou um aumento de 87,5% no número de novas ações recebidas. Enquanto em 2010 o total de novos processos trabalhistas foi de 6.357, no ano passado o número chegou a 11.924. O índice de crescimento é bem superior ao do período no Estado, que já é expressivo e aponta para 50%.

Conforme Ana Júlia Fazenda Nunes, diretora do Foro Trabalhista de Caxias e titular da 3ª Vara do Trabalho, a elevação na quantidade de processos entre 2010 e 2012 é reflexo natural do crescimento da cidade. Já a disparada a partir de 2013 ocorreu devido à desaceleração econômica, com destaque para o ramo industrial, que é o principal setor econômico da cidade e um dos mais atingidos pela queda nos pedidos.

— As empresas de Caxias não tinham o perfil de não pagar corretamente as rescisões, mas a crise tem ocasionado esse tipo de dívida e isso repercute na Justiça do Trabalho. Outro motivo do aumento nos processos é que muitas pessoas que normalmente não questionariam direitos em época de emprego pleno, estão fazendo isso agora porque seguem sem conseguir um novo trabalho. Ou seja, coisas dúbias, controversas, que não costumavam aparecer, agora surgem com mais intensidade porque essas pessoas estão sem renda — analisa Ana Júlia.

A informalidade é outro fator que motiva a elevação nas ações trabalhistas. Sem oportunidades formais no mercado e com a recuperação econômica sem dar sinais de aparecer, o caxiense tem aceitado trabalhar com os conhecidos "bicos", observa a juíza:

— Essa é uma demanda que começou a aparecer mais recentemente e deve continuar surgindo. Pedidos de reconhecimento de vínculo, de anotação de carteira... Isso não era comum em Caxias há alguns anos — ressalta.

A titular da 3ª Vara do Trabalho frisa ainda que a informalidade é altamente prejudicial porque gera mais acidentes de trabalho, o que aumenta as despesas da Previdência, além de agravar a arrecadação tributária, o que prejudica o desenvolvimento da cidade.

Fonte: Pioneiro

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