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15 de Setembro, 2021

Afastamento de trabalhadores por causa da Covid-19 ou sequelas da doença aumenta 75%

O afastamento de trabalhadores por mais de 15 dias em consequência da Covid-19 ou sequelas da doença aumentou 75%, nos primeiros seis meses de 2021 foram 64.861 afastamentos relacionados à Covid, contra 37.045 de abril a dezembro de 2020, segundo dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho. Problemas na coluna lombar, que antes lideravam os afastamentos, agora estão em segundo lugar, com 17.831 casos.

De acordo com os dados, publicados pelo jornal Folha de S. Paulo, aumentou também a procura por reabilitação de trabalhadores com sequelas meses depois de terem se infectado com o novo coronavírus.

O Ministério da Saúde não tem dados oficiais do número de sequelados da Covid. Mas estudo recente publicado na revista científica The Lancet, o primeiro a analisar as sequelas da Covid um ano após a contaminação, mostra que metade dos pacientes continua com queixas 12 meses depois de contrair a doença, sendo as mais frequentes o cansaço e a fadiga muscular. Um em cada três também apresenta dificuldade de respirar.

Pacientes que foram intubados, sem respirar pelo nariz e sem engolir por mais tempo, têm fraqueza no músculo da deglutição e precisam de fonoaudiologia para não engasgar e de terapeuta ocupacional para fazer as adaptações temporárias para usar os talheres, por exemplo.

A maioria dessas incapacidades é temporária, mas é preciso fazer a reabilitação precoce, de preferência iniciada ainda durante a internação, e conduzida por uma equipe multidisciplinar. Quanto mais rápido e coordenado esse trabalho, mais chances o paciente terá de se recuperar.

Estados e municípios têm criado ambulatórios de reabilitação pós-Covid, mas a oferta no Sistema Único de Saúde – SUS ainda é inferior à demanda e há demora no início das terapias necessárias, segundo os médicos ouvidos pela reportagem.

“O SUS é a opção de boa parte da classe trabalhadora que teve Covid-19 e precisará de reabilitação, portanto, é preciso que o governo federal amplie os recursos para o Sistema e que os governos estaduais e municipais invistam e fortaleçam todos os serviços públicos de saúde voltados para a recuperação e reabilitação”, alerta a secretária da Saúde do Trabalhador da CUT Nacional, Madalena Margarida da Silva.

“Com o aumento da demanda, o SUS ficará ainda mais sobrecarrendo pois, terá também que atender as demandas reprimidas de outros adoecimentos”, acrescenta Madalena Margarida, que ressalta: “A luta por recursos tem de ser feita no Congresso Nacional, no convencimento dos parlamentares, e nas ruas porque o governo de Jair Bolsonaro não tem compromisso com a população que precisa de serviço público”.

Em plena pandemia, o governo reduziu a previsão orçamentária para a saúde, lembra a dirigente se referindo ao Orçamento da União para 2021, que previu apenas R$ 136,3 bilhões para a área. “Aumentou um pouco porque deputados e senadores aumentaram em cerca de R$ 10 bilhões o valor. Em 2020, o valor executado com saúde foi de R$ 160 bilhões”, diz.

Opções para os trabalhadores – Enquanto a luta por mais recursos é feita, os trabalhadores têm algumas opções de atendimento. Uma delas são os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador – Cerest, que funcionam nos estados e municípios e prestam assistência especializada aos trabalhadores acometidos por doenças e/ou agravos relacionados ao trabalho.

Hospitais universitários em todo o país também estão oferecendo tratamento para amenizar os sintomas de Covid-19, mas o investimento em todos eles, é essencial. “Precisamos cobrar o governo e o Parlamento para não deixar os trabalhadores sem atendimento”, diz a secretária da CUT.

Estão oferecendo esse atendimento o Hospital Universitário de Brasília – HUB, que tem um programa específico para a reabilitação de pacientes com sequelas provocadas pelo novo coronavírus.

No Recife, o Hospital das Clínicas de Pernambuco oferece ao paciente uma equipe multiprofissional que vai discutir o caso e montar um plano terapêutico e de reabilitação.

Em Cajazeiras (PB), o Hospital Universitário Júlio Bandeira tem uma equipe de fisioterapia é responsável por um programa de reabilitação pulmonar que envolve técnicas de expansão do pulmão e remoção de secreção.

No Rio Grande do Sul, dois hospitais se destacam no atendimento às sequelas deixadas pelo novo coronavírus. O Hospital Universitário de Rio Grande conta com uma equipe de 22 profissionais nas especialidades de infectologia, clínica médica, reabilitação física e respiratória, psicologia, pneumologia, cardiologia, neurologia, nefrologia, pediatria e nutrição para ajudar os pacientes.

No Hospital Escola de Pelotas quem faz a avaliação clínica é um pneumologista. A partir de então, o paciente será tratado por um pneumologista e fisiatra, além do atendimento multiprofissional de fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia e educação física.

Fonte: Folha de S.Paulo e CUT
 
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