Sindisaude
54 3221.7453
54 9635.0765
26 de Julho, 2018

"Bico" vira norma para maioria dos brasileiros, mostra pesquisa

Um estudo feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) juntamente com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) comprova que as políticas do governo de Michel Temer provocam uma das maiores recessões da história do país.

De acordo com o levantamento, 64% das brasileiras e brasileiros precisaram de atividades extras – o popular bico – para complementar o orçamento doméstico no primeiro semestre deste ano, no mesmo período de 2017, 57% faziam bicos pelo mesmo motivo. Nas classes C, D e E, nada menos do que 70% dos entrevistados disseram fazer bicos para sobreviver.

A pesquisa que ouviu 886 pessoas, com mais de 18 anos, nas 27 capitais brasileiras mostra a recessão nua e crua. “Com a reforma trabalhista, os salários têm caído demais e com mais de 27 milhões de desempregados e subempregados a situação fica ainda pior”, afirma Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

As respostas dos pesquisados confirmam a afirmação de Vânia. “A descrença no desgoverno Temer e na recuperação do país aumenta conforme a crise se aprofunda”, diz ela. Isso porque o levantamento mostra que 51% acreditam que a economia piorou neste ano. Em 2017 eram 44%. Já para 34% suas condições  financeiras não se alteraram e apenas 19% pensam que melhorou.

Os dados também não alimentam muitas esperanças para o comércio. No período avaliado, 83% fizeram cortes de gastos para conseguir pagar as contas e 77% não sentem a propalada melhora na economia que Temer garante ocorrer.

Austeridade causa pobreza

“Podemos sentir o efeito da política de austeridade econômica nas ruas das grandes cidades”, acentua Vânia. “A pobreza aumenta a olhos vistos e o número de pedintes e de moradores de rua aumenta absurdamente”.

Comer fora de casa não pertence mais a 61% das famílias brasileiras. Por incrível que pareça esse tipo de corte no orçamento doméstico afeta as pessoas de renda mais alta, das quais 74% disseram ter diminuído as refeições fora de casa.

Já 57% estão comprando menos roupas, calçados e acessórios. Enquanto 55% diminuíram o consumo dos itens que não são de primeira necessidade em supermercados, como carnes nobres, congelados, iogurtes e bebidas. Os gastos com lazer e cultura foram reduzidos por 53% e 30% dos pesquisados disseram que venderam algum bem para conseguir dinheiro para se manter.

Os efeitos da recessão estão nas ruas. Os juros estão muito altos para 56%, já outros 54% reclamam da falta de vagas no mercado de trabalho, enquanto 57% disseram estar desempregados ou tiveram algum membro da família que perdeu o emprego recentemente.

E as notícias ruins não cessam. Entre os entrevistados, 69% acham que não vão concretizar algum plano traçado para 2018 e 51% acreditam que as eleições vão influenciar o comportamento da economia.

“Nota-se com esse estudo que o povo tem noção de que é preciso mudar os rumos do país, porque já estamos de volta ao vergonhoso Mapa da Fome da ONU (Organização das Nações Unidas) e com esse rumo não tem fim para a escalada abaixo”, finaliza Vânia.

FONTE: Portal CTB

 

VOLTAR PARA LISTA DE Banner Notícias