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08 de Março, 2020

Dia Internacional da Mulher, por que ainda é preciso lutar?

Ao longo das últimas décadas a mulher brasileira avançou muito na conquista de seus direitos. Ela lutou e conseguiu espaço significativo na sociedade e principalmente no mercado de trabalho. Foi preciso as mulheres irem às ruas, marchando por igualdade; ou até mesmo serem assassinadas em unidades industriais. Felizmente muita coisa já mudou. Na Constituição Brasileira e na legislação, os direitos das mulheres estão assegurados nas questões trabalhistas, familiares, eleitorais, da saúde, educacional e penal.

Entretanto, lamentavelmente, ainda é preciso avançar muito para que se faça justiça com as profissionais femininas que continuam sofrendo discriminação no mercado de trabalho, e o que é ainda pior, continuam ganhando menos que os homens.

Ainda é preciso lutar para acabar com o quadro epidêmico do assassinato sistemático de mulheres no país. De acordo com o Atlas da Violência, divulgado em 2019 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre 2007 e 2017 houve aumento de 30,7% dos casos de feminicídio. Na grande maioria dos casos, 88% dos responsáveis pelos crimes foram companheiros ou ex-companheiros das vítimas.

Em 2018 foram registrados total de 66.041 estupros no país, sendo 180 por dia. 53,8% desse total se referem violações de meninas. Os dados revelam que a cada hora quatro meninas de até 13 anos são violentadas no Brasil. Em 93% dos estupros registrados, os agressores são homens próximos ou conhecidos das meninas e mulheres. A explicação para essa violência estrutural contra as mulheres brasileiras está na formação social do país, na discriminação estrutural e a desigualdade de poder, que inferioriza e subordina mulheres aos homens.

Violência estrutural esta que vem do próprio presidente da República, Jair Bolsonaro. No mês passado, o presidente ofendeu a honra da jornalista Patrícia Campos Mello, do jornal Folha de São Paulo. Na rotineira declaração à imprensa em frente ao Palácio do Planalto, Bolsonaro usou de insinuações de cunho sexual e deboche para desmantelar a honra de uma profissional. Sem se acovardar diante de câmeras de emissoras de televisão, microfones e gravadores, disse que “ela queria dar o furo a qualquer preço” contra ele, em evidente conotação sexual. Ausente de qualquer constrangimento da fala, repetiu os mesmos termos. O machismo e o desprezo de Bolsonaro por mulheres não são recentes. As falas de Jair vão desde apologia à exploração sexual de brasileiras, defender que mulher ganhe menos porque engravida e a estupro.

Na ocasião, o editorial do jornal espanhol El País disse que “nunca na democracia um chefe de Estado havia caído tão baixo apelando à vulgaridade para falsear a realidade. Quiçá no mundo. Nem Donald Trump chegou a tanto”.

Por todos esses motivos a luta continua. Neste sentido, a luta pelo empoderamento das mulheres deve ser solidária e andar de mãos dadas com a democracia. A união é imprescindível. As mulheres devem estar na vanguarda da revolução que se faz, mais do que nunca, necessária.

As mulheres não querem flores no dia 8 de março, elas querem respeito, querem salário digno, querem parar de ter medo, querem se sentir seguras nos seus relacionamentos ou andando nas ruas. Elas querem ficar vivas. Por isso é necessário que todos se envolvam nesta luta, sociedade, parlamento, governo e o Judiciário. Fora desta batalha está a opressão e enquanto ela perdurar, as mulheres não deixarão de lutar.

Fonte: Com Rede Brasil Atual, Terra e Revista Cláudia
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