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10 de Maio, 2021

Pfizer cobra R$ 1 bilhão a mais do Brasil para segundo contrato

A Pfizer definiu um custo de US$ 12 por unidade de vacina para o Brasil, um aumento de 20% no preço do primeiro contrato. Segundo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, o governo federal “está na iminência de fechar novo acordo com a Pfizer de 100 milhões de doses”, o que totalizaria um valor de R$ 1 bilhão a mais do que o valor anterior.

As informações foram obtidas pelo Estadão, em uma nota técnica assinada por Laurício Cruz, diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis da pasta.

No fim de 2020 e no início do ano, porém, a gestão de Jair Bolsonaro tinha outra postura em relação à empresa. O governo chegou a acusar a farmacêutica de incluir cláusulas “leoninas” na proposta, travou a negociação e perdeu lugar na fila. Bolsonaro se queixava de que a empresa não queria assumir o risco por possíveis efeitos colaterais da vacina. “Se você virar um jacaré (após tomar o imunizante), é problema de você”, afirmou o presidente em 17 de dezembro.

O documento do Ministério pede que a entrega desse novo lote seja feita em duas etapas. A primeira remessa, de 30 milhões de doses, deve chegar ao País no terceiro trimestre do ano, entre 1º de julho e 30 de setembro. A entrega do segundo lote, com 70 milhões de doses, está prevista para o quarto trimestre, entre 1º de outubro e 31 de dezembro.

A nota técnica recomenda que o governo federal negocie o valor , mas que a compra seja feita, uma vez que doses de reforço poderão ser necessárias em função das mutações do vírus.

Hoje, a vacinação com a Pfizer está restrita às capitais pela logística complicada, que exige refrigeração em temperaturas muito baixas. Com o novo contrato, a nota ressalta a necessidade de compra de 183 congeladores para que o imunizante possa chegar em municípios do interior com mais de 100 mil habitantes.

Com uma faixa de lucro média na faixa de 20%, a Pfizer tem variado as propostas para diferentes governos. O preço cobrado do Brasil é inferior ao que foi cobrado da União Europeia, que desembolsou por volta de US$ 14,70 por dose, e dos Estados Unidos, que pagaram cerca de US$ 19,50. Israel, um dos países com a vacinação mais adiantada no mundo, pagou à Pfizer US$ 23,50 por dose para recebê-las antes e em grande escala, o que faz o país ser um dos mais imunizados do mundo. A farmacêutica também já disse que países mais pobres iriam pagar preços mais baixos.

Fonte: Estadão
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