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28 de Abril, 2016

Caxias registra 5 mil acidentes de trabalho por ano

Ao mesmo tempo em que Caxias conta com uma força de trabalho reconhecida nacionalmente (tendo 166,6 mil empregos formais mesmo em tempos de retração expressiva), a cidade também ocupa destaque em outro ranking bem pouco estimado no mercado. Atrás apenas de Porto Alegre, o município é o segundo do Estado com o maior número de acidentes de trabalho. No último ano, 5.297 casos foram contabilizados na cidade entre empregos formais e informais, apontam dados do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest/Serra) que envolvem desde ferimentos físicos, até lesões por esforço repetitivo e doenças psicológicas laborais. 

O significativo número é bem semelhante aos de 2014 e 2015, que também foram superior a 5 mil acidentes. Os casos de Caxias contribuíram para impulsionar a posição do Rio Grande do Sul no ranking nacional. O Estado é o terceiro do país, com quase 60 mil incidentes por ano, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. 

— Acredito que o elevado número de acidentes no Rio Grande do Sul se deve às características do Estado, com variantes desde polos industriais ao agronegócio. O impulso econômico, aliado aos meios de produção, que, não raras vezes, remontam à década de 1980 — senão anterior — e a desatenção a um ambiente de trabalho saudável (obrigação patronal) resultam nesta triste desqualificação — analisa o juiz Marcelo Porto, titular da 6ª Vara do Trabalho de Caxias, especializada em acidentes de trabalho.


Esta quarta-feira (27),  em todo o mundo, foi marcada pelo Dia em Memória às Vítimas de Acidentes de Trabalhos e Doenças Ocupacionais. Especialmente em um município com dados tão alarmantes, a data é um marco para reflexão sobre a gravidade do problema. Para Porto, a solução passa pela conscientização de patrão e empregado sobre suas responsabilidade:

— Muitas vezes é dado para o trabalhador um conhecimento superficial no que tange à operação de equipamento, o que não lhe permite discernir sobre os efetivos riscos aos quais se encontra exposto. É necessário, ainda, reforçar as Cipas (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e fomentar o SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho), a fim de que se apontem os erros e se busquem soluções no chão de fábrica. Prevenir sempre será melhor do que indenizar — resume o juiz.
Fonte: Pioneiro.com

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